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Os trabalhadores da CPFL Santa Cruz deram seu recado de forma clara: a proposta de PLR 2026 apresentada pela empresa foi rejeitada por 92% dos trabalhadores nas assembleias realizadas pelo STIEHI em Piraju, Ourinhos, Avaré e Santa Cruz do Rio Pardo.

A insatisfação é grande e tem uma razão bastante simples. Enquanto a empresa comemora resultados, recebe reconhecimento e aumenta seus indicadores, quando chega a hora de discutir a participação dos trabalhadores nesses resultados, a conta parece não fechar.

As negociações da PLR vêm sendo cobradas desde maio. Em junho, os trabalhadores participaram da construção da pauta e reafirmaram a necessidade de discutir antecipadamente as regras da PLR. Em julho, o sindicato formalizou novamente o pedido de abertura das negociações.

A CPFL Santa Cruz, porém, só apresentou sua proposta no dia 20 de agosto. E há um detalhe que chamou a atenção dos trabalhadores: a empresa pretende manter o mesmo valor de PLR pago anteriormente, enquanto aumenta o desafio das metas.

Ou seja: a meta sobe, a cobrança aumenta, mas a PLR aparentemente resolveu ficar onde estava.

Para o presidente do STIEHI, Andre Paladino, os trabalhadores estão cansados de ouvir que são fundamentais para os resultados da empresa apenas quando é hora de apresentar indicadores. “É curioso. Quando a empresa alcança bons resultados, o trabalhador é peça fundamental, quando recebe prêmio, reconhecimento e destaque, o trabalho da equipe aparece, mas, quando chega a hora de dividir os resultados, parece que o esforço do trabalhador vai pelo ralo”, afirma Paladino.

O sindicato destaca ainda o desempenho econômico da CPFL Santa Cruz. Segundo os números apresentados, o lucro cresceu mais de 11% em 2025, em comparação com o ano anterior. No primeiro semestre de 2026, o crescimento chegou a 18,7%, enquanto no segundo trimestre a alta foi de 45,8%.

Se os resultados da empresa crescem, a participação dos trabalhadores nesses resultados também precisa acompanhar esse crescimento. Afinal, não parece muito coerente exigir cada vez mais de quem produz os resultados e oferecer a mesma recompensa de antes.

A rejeição unânime coloca a negociação em um novo momento. O sindicato espera que a CPFL Santa Cruz apresente uma nova proposta com avanços reais e compatíveis com o desempenho da empresa.

Caso isso não aconteça, o sindicato irá mobilizar da categoria, incluindo paralisação de 24 horas a partir da zero hora do dia 8 de setembro.

Para Paladino, ainda há espaço para o diálogo, mas a responsabilidade pelo avanço da negociação agora está com a empresa, “nós estamos dispostos a negociar. Os trabalhadores também, o que não dá é chamar de negociação se a empresa aumenta as metas, melhora seus resultados e, na hora da PLR, apresenta praticamente a mesma conta, o trabalhador entende sua valor já deu sua resposta nas assembleias”, afirma.

A entidade pretende buscar uma solução negociada, mas não abrirá mão da mobilização para garantir uma PLR que esteja à altura dos resultados alcançados pela CPFL Santa Cruz e, principalmente, do trabalho de quem produz esses resultados todos os dias.

Porque, afinal, se os resultados podem crescer 45,8%, talvez a PLR também possa crescer um pouquinho.